Memórias de uma Menina de Pano
Domingo, Março 11, 2012
Medo do medo.
Sábado, Novembro 19, 2011
Trago seu amor a qualquer preço!
"Ela me disse tudo sobre a minha vida, sem eu sequer falar nada! Você precisa ir nela, vai adorar"
Desculpa, não deu para não prestar atenção na conversa. Por vários motivos.
1) A frase pairou na mesa solitária, então não tinha como não ouvir.
2) O tema normalmente gera certo suspense, afinal, uma mulher com supostos dons de adivinhação havia acertado alguma coisa - no caso, "tudo". Tudo o que?
3) O mercado da adivinhação tem clientela variada (entre loucos, medrosos, malucos, ciumentos, os universitários, que reúnem possivelmente todas essas caracteristicas e mais, estavam nas estatísticas).
4) Havia o fato de estar sozinha, não ter nada para fazer naquele momento além de comer e parabenizar a jovem sentada próxima de mim pela coragem de ter ido a uma Dona Jussara Trago Seu Amor A Qualquer Preço, Pode Confiar, É Garantido.
Resumo da História
Ela havia ido numa advinha oriental, pedido conselhos sobre sua vida (provelmente certa de ouvir soluções para seus problemas), ouvindo respostas que remetiam a sua trajetória de vida. Isso logo passou a indicar que a advinha era realmente "boa", o que me faz supor, que os conselhos foram interessantes e "úteis". Por isso ela aconselhou a amiga a ir nela também. "Ela vai falar tudo sobre a sua vida, vai ver só".
A parte das causas e consequências de conselhos dados, e o que se faria a partir deles, me peguei pensando o quanto somos inseguros a respeito de quais decisões devemos tomar quando uma problema precisa ser solucionado. Não que não precisamos ouvir conselhos quando dúvidas, incertezas surgem ou quando não conseguimos identificar de onde vem as falhas, quando eles aparecem. Conselhos muitas vezes orientam, direcionam, incentivam e ajudam a melhorar quando analisados criticamente, racionalmente.
O problema é que muitas vezes as decisões precisam partir de nós e ninguém, nem mesmo os homens mais sábios e doutos da terra, com poderes quase místicos podem adivinhar. Coisa que nos chateia, nos tira de nossas zonas de conforto. Isso demosntra a atitude de não querer se responsabilizar pelo erro que podemos vir a cometer caso erremos em nossas decisões. Deixar que o outro decida tira a culpa de nossas costas, bem como o peso da responsabilidade em executá-la.
Tomar decisões importantes é difícil. Eu sei disso. Todos sabem. Mas se desabonar da decisão é não querer vencer a marcha pelos próprios pés. E culpabilizar os fatores externos pelos nossos erros, nós já fazemos isso todos os dias quando reclamamos do governo, da política, da guerra, da vida em geral. Nós apenas recebemos na ressaca da onda, aquilo que enviamos para o mar.
Talvez o melhor conselho a seguir seja: Refletir, analisar, pensar e se perguntar se o que desejamos faz realmente sentido para as nossas vidas. O negócio é espantar a insegurança pra lá, e tomar as rédias da própria vida nas mãos. Pois assim como a moça quer respostas para a sua vida, eu também as quero para minha. Por isso penso, logo existo.
Menina de pano não é fofoqueira não! Apenas analisa aspectos da vida cotidiana.
Sexta-feira, Novembro 04, 2011
Fora da Ordem.
Segunda-feira, Outubro 24, 2011


Sexta-feira, Setembro 30, 2011
Dormem.
Sábado, Julho 09, 2011
Coração nos Trópicos
Segunda-feira, Julho 04, 2011
Acertando Contos de Fadas.
Você já sentiu que poderia amar alguém por toda uma eternidade? Que esse individuo consegue resumir todos os seus sonhos? Já sentiu que ao lado da pessoa amada você não precisaria de mais nada para viver? E que tal aquela idéia de amar a ponto de sentir o coração doer de amor? De se doar infinitamente pelo bem, pela união, pelo amor? Já sentiu que como se a vida estivesse toda resolvida depois de encontrar o seu amor?
Já sentiu algum sintoma desses? Todos eles?
Eu também. E digo por experiência própria, nada disso é verdade.
Muito prazer, meu nome é Juliana, e eu não acredito em contos de fadas.
Faz tempos que esse assunto ronda a minha cabeça. Contos de fadas. Quando comecei a considerar a influencia dos contos da fadas na pisque feminina, assim como os seus efeitos conscientes e inconscientes, decidi rememorar a minha trajetória afetiva para entender de onde exatamente comecei a relacionar Contos de Fadas com as relações afetivas. Deixo claro que não sou psicóloga, estou longe disso. Mas isso não me impede de analisar racionalmente as relações humanas através do problema da consciência, quando envolvem sentimentos.
Bem, fazendo um resumo rápido. A minha trajetória sentimental se divide entre duas fases: Quando acreditava em contos de fadas e quando deixei de acreditar. Cheguei a essa conclusão depois de experiências que me apontaram que nas minhas ações passadas, eu me aproximava da figura da “donzela” que precisa ser salva pelo “príncipe” encantado. Aí a grande descoberta. Apenas precisei de certo distanciamento histórico e de um olhar neutro sobre o meu “eu” anterior para perceber o quão involuntário e ingênuo era o meu pensamento a respeito do que se esperar sobre relacionamentos. Sentimentais e interpessoais. A partir do momento em que essas ações se tornaram reais e palpáveis para mim, decidi investigar a cerne da solução. O que havia acontecido para haver o deslocamento da figura “donzela” para atual ainda sem rotulação mas previamente chamada de Juliana.
Todas as mulheres são assim? Não. Mas boa parte, e sem saberem.
Donas de casa, corretores de banco, prostitutas, gogo boys, financistas, empresárias, estudantes, casadas, solteiros, idosas, autônomos, empregadas, adolescentes. Ninguém está livre de pensar assim. O problema é como fugir da incoerência imposta pela necessidade salvação. Isso além de soar fantástico, soa cristão demais. A salvação pelo amor e pela fé cega. Peraí, nem Jesus quis dizer isso! Ele apenas disse que o amor posto em ação eleva os homens. Partindo de si, passando pelos homens e atingindo a Deus. Amai ao próximo como a si e a Deus acima de todas as coisas, disse ele. Esse Jesus, hein. Dando as cartas a mais de 2 mil anos e a gente ainda não aprendeu a jogar...
Okay, o amor salva. A submissão, a ingenuidade, o sentimentalismo não.
1- Não existe um amor para sempre. Para sempre é muito tempo, e ele existe para provar que que a vida se resume em amar, de diversas formas, a muitos. Quem sabe o mundo inteiro.
2- Resumir sonhos? Sonhos mudam. Pessoas também, inclusive nós.
3- Deixar a cargo de uma pessoa só toda uma vida é muito fardo. Seria bom dividir esse fardo com os demais. Familia, amigos, companheiros... Ser egoísta e ainda dar trabalho é complicado.
4- Quando doamos demais, ficamos sem nada. É ai que realmente a dor vem. E vem que vem forte.
5- Vida resolvida? Que baixa perspectiva de vida... Há tanta coisa pra fazer, tanto tempo pra viver!
O negocio é aprender a si amar. De um pé a bunda do príncipe (princesa) e seja a rainha do espetáculo, a história é sua e só sua. Chega de sentimentalismos. Não é ele que viverá a vida por você, sentirá ou amar como você irá. Não de presente o dom especial de ser você. Seja. Apenas isso. Mas seja razão na medida certa, querendo primeiro o bem para si e compartilhando com os demais. A balança equilibrada entre o coração e razão é uma medida ideal de se chegar, colocando em pesos e medidas iguais vontades, desejos e deveres. Quando o coração fala demais, pode tender a perda da identidade do eu. Quando a razão fala demais o eu infla seu ego. Então, vá, tome o projeto “eu” na mão e o coloque no quadro para análise. Ele sempre estará sujeito a mudanças, intervenções, reposicionamentos. Escreva os objetivos. Meça-os e deixe que o tempo, a vida e as relações se encarreguem de ajustar o nosso “sentir”. Mas lembre-se que você é que dá o tom.
Você acha ainda acha que existe alguém ai fora, perfeito para você?
Não se engane, porque pra começo de conversa, você não é perfeito(a).
Menina de pano não acredita em contos de fadas, mas gosta dos desenhos da Disney.